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Movimento IV
Janeiro de 2021. O homem arma uma tábua de passar no centro da sala. Ele passa roupa como se fosse sua mãe ou avó. Ele tem uma alegria faceira crepidando alguma expectativa. Algo vai acontecer. Zeloso cuida de sua melhor roupa. Passa e desinfecta. Cuida de suas máscaras, o novo adereço fashion. Passa e desinfecta. Ele já sabe alguma coisa sobre existir nesse mundo. Veste sua roupa. Guarda nos bolsos suas máscaras muito bem embaladas. Prende ao cinto um frasco de álcool-arma-gel. Ele vai sair, e pelo modo como acaricia a própria roupa ele quer mais que comprar comida. O cão atento e um tanto invejoso o observa. Ele calça suas botas. Ele cobre o rosto com um face-shield, e por debaixo dele uma máscara. Ele escolhe um chapéu. Ele veste uma capa plástica de chuva de forma humana como uma cigarra arrependida. Abre a porta e deixa um ar sibilante entrar. Ele hesita. O que está fazendo? pergunta-se. Volta. Encara sua desfigurada imagem muito bem embrulhada no espelho. Pendura o chapéu. E sai.